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Sexta-feira, 14 de Janeiro de 2011

Que interessante novidade!...

Isto é tão interessante como inútil, faz lembrar a astrologia!

Lê-se nas notícias que o Zodíaco mudou. No JN lê-se "Um astrónomo do Estado do Minnesota, nos Estados Unidos, descobriu um novo signo e afirmou que o horóscopo actual sofreu alterações nas datas devido às mudanças no alinhamento da Terra."

Descobriu? Então as constelação está lá há uns milhares de anos, qualquer manual de Astronomia a refere, e ele agora descobriu?!? Pior! E estes jornais e outros meios de comunicação alinham na fantochada? Terá mudado também o calendário e afinal é dia 1 de Abril?!?

Eu que pouco sei já aqui tinha falado disto. Onde está a novidade?

Acreditar na Ciência é custoso, exige esforço, exige aceitar que erramos e o que aceitámos como verdades afinal não o são. Aceitar a charlatanice da astrologia é bem mais fácil e, diz quem gosta, até é divertido.

publicado por coisas minhas às 23:30
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Ensaio sobre o Natal ateu

Pode o Natal ser ateu? Pode, digo eu. Não pode, dirá um crente no cristianismo.

Tendo nascido numa sociedade de inspiração cristã, foi essa a educação que recebi. Valores como o respeito pelo próximo, a solidariedade humana – e animal! – a igualdade entre cidadãos, e outros que tais estão imbuídos no que penso, e no que procuro agir. Por esse ponto de vista, e só por esse, tenho uma acção cristã.

Mas esses valores não são exclusivos do cristianismo, pelo que por os practicar não poderei ser rotulado de cristão. Na verdade esse é até um termo abusivo porque Christo seria o ungido, o rei, logo aceitar esse rótulo é aceitar que o Jesus histórico tem outros méritos para além dos que qualquer humano costuma ter, e por esse caminho não vou. Não lhe chamo Jesus Christo porque não era esse o seu nome. Nasceu Jesus, cresceu, viveu, fez coisas boas e más como qualquer mortal, morreu e ficou para a História como poucos. Não acredito que exista ainda algures, mesmo que de forma metafísica, tal como não acredito em qualquer existência metafísica, omnipresente e omnipotente.

Neste contexto agnóstico e ateu, como se pode practicar o Natal? Para os crentes o Natal é a celebração do nascimento daquele que há muito estava anunciado para chegar, o seu Messias. Aquele que veio, como costumo ouvir dizer, para redimir os nossos pecados. Bem-vindo seja então alguém com as costas bem largas para suportar os disparates de tanta gente que por aí anda a fazer as maiores barbaridades, e que depois limpa a consciência com meia dúzia de lenga-lengas, com uns améns pelo meio, e que assim já pode voltar a pecar. É como uma camisa que se usa, que se põe a lavar quando está suja, e se volta a vestir quando esta limpa. Nesse sentido, o Messias serve como uma lavandaria de pecados. Entrem pecadores, que os vossos pecados serão lavados e podeis ir pecar outra vez e indefinidamente.

Desde que nasci que pratico o Natal. Primeiro ainda me diziam que era o menino Jesus que dava as prendas. Mas como podia uma criança quase despida dar prendas a tanta gente? Já o Pai Natal, que é mais velho, mais sabedor das coisas da vida e tem transporte próprio é muito mais credível para ser o transportador das prendas.

Gosto do Natal, das prendas, das comidas que só há nesta altura. É verdade que o Natal deve ser quando um homem quiser, mas no Verão não encontro lampreia de ovos à venda… E gosto de estar com a família, mesmo com aquela que quase só nesta altura se vê, e de trocar telefonemas, e-mails e sms com gente com quem quase só falo no Natal. Mas eles sabem que gosto deles, e sei que eles gostam de mim, e é bom saber isso, seja no Natal seja durante todo o ano.

É nessa perspectiva que faz sentido montar o presépio. Monto-o não por causa do menino Jesus mas por representar a proximidade familiar e dos amigos que nesta altura celebro. Aliás, a figura do menino Jesus lembra-me sempre que está nas palhas deitado, nas palhas estendido, a não fazer nenhum, como disse o Herman numa excelente rábula há uns anos, em que num tribunal o Pai Natal (Herman) discutia com o menino Jesus (um fenomenal Miguel Guilherme) sobre quem era o verdadeiro representante do Natal.

Escapa-me a argumentação para justificar a árvore de Natal, que sempre gostei de ver enorme, a roçar o tecto. Se é uma árvore e não é bonsai, então tem de ser grande. Gosto de montar a árvore de Natal, mas ainda não consigo explicar porquê. Quando conseguir, e se me lembrar, aqui voltarei a escrever sobre o assunto.

E assim pratico o Natal ateu. Não acredito que exista qualquer Deus, que Jesus tenha sido concebido de forma diferente da de qualquer outro ser humano, ou que tenha ressuscitado e ido sabe-se lá como não se sabe bem para onde. Estou e comunico com aqueles de quem gosto e que de mim gostam, e basta.
Feliz Natal a todos, na forma que cada um achar melhor para a sua própria felicidade.
publicado por coisas minhas às 16:49
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Olho de Deus, pois...

Todos nós que andamos nisto da blogosfera e ligados na internet recebemos muitos e-mails. Alguns muito giros que repassamos de uns para os outros, até os recebermos de volta. Outros não interessam para nada. Rezas e orações, gatinhos, cãezinhos, patinhos e paisagens de Outono, e coisas assim, ou imagens de acidentes ou coisas piores. Alguns vêm-se, outros vão fora logo à primeira imagem. Outros vão fora antes mesmo de serem abertos.

A maior parte do lixo nem merece comentário. Mas há dias recebi um que me chateou pelos disparates que encerra. Chamava-se O Olho de Deus.

Assim que li o título pensei algo que me garantiu – ainda mais – o meu lugar perpétuo no Inferno “Queres ver que o apanharam?!?” pensei eu.
O e-mail mostrava esta foto:
 
 
e dizia isto:
Esta foto é raríssima, foi tirada pela NASA com o telescópio Hubble. Este tipo de acontecimento dá-se uma vez em cada 3000 anos.
Esta foto já produziu milagres em muitas vidas. Pede um desejo… tu estás a ver o Olho de Deus. Verás provavelmente mudanças na tua vida durante hoje mesmo. Acredites ou não, não conserves este e-mail contigo, envia esta foto a pelo menos 7 pessoas. Chamam-lhe « OLHO DE DEUS » Inacreditavél para apagar. Partilha-a com os outros. Nos próximos 60 segundos, deixa o que estás a fazer e aproveita esta oportunidade. Um minuto efectivo e eficaz. Envia esta foto aos teus amigos (as) e aguarda pelo que te vai acontecer. Não cortes a corrente se faz favor.  
 
Este tipo de lixo chateia muito, não tanto por eu o receber mas sobretudo por fazer com que haja quem acredite nestas palermices. A única coisa minimamente acertada em todo o texto é que esta foto foi tirada pela NASA com o telescópio Hubble. O resto é um chorrilho de disparates.
 
A foto não é raríssima. Pulula pela internet se procurarmos por ‘Eye of God’. Até na Wikipédia a encontramos. Foi a Astronomy Picture of the Day em 10 de Maio de 2003, um site da NASA.
 
Como se pode ver nesta página da Wikipédia, aquilo não é mais que um corpo celeste igual a outros. Chama-se Helix Nebula, é também conhecida como A Hélice, ou Nebulosa da Hélice, ou NGC 7293, e que se encontra na constelação de Aquário. Está a 700 anos luz de nós, ou seja, a imagem que dela hoje vemos saiu de lá em 1309, na Idade Média, à velocidade de 300 mil quilómetros por segundo. Procure-se na internet por Helix Nebula ou NGC 7293 e aparece a mesma imagem.
 
Diz o e-mail que “Este tipo de acontecimento dá-se uma vez em cada 3000 anos.” Qual acontecimento?!? Aquilo é só uma fotografia! Nada do que se sabe nos pode dizer que o que quer que aconteça ocorra apenas a cada 3000 anos, ou cinco dias, ou a cada quarto de hora.
 
Chamar aquilo Olho de Deus é que é estranho. Para quem é crente o Homem foi criado por Deus, tenha este nome ou outro qualquer. Nas religiões messiânicas Deus criou o Homem à sua semelhança e por isso o Homem julga ver Deus, ou um seu sinal, em qualquer antropomorfismo que encontra. Se houvesse uma galáxia em forma de dedo do pé, alguém diria que era o dedo do pé de Deus?!?
Não vamos para mais análises anatómicas e metafísicas. Fiquemo-nos pelo olho, segundo duas perspectivas.
 
1) a perspectiva óptica.
Aquilo só parece um olho quando visto do nosso ponto de vista. Ainda não temos tecnologia para visitar aquela galáxia de forma a poder mandar lá algo ou alguém fotografar do outro lado, e trazer uma nova imagem de volta. Podia ser parecida com esta, ou muito diferente, não sabemos.
 Até podemos mandar umas sondas, mas chegam cá daqui a muito tempo. A sonda Voyager2 saiu da Terra em 1977, há 32 anos, já saiu do nosso sistema solar, mas está ainda muito perto. Estima-se que em 2025 já não tenha capacidade energética para colocar em funcionamento qualquer instrumento. Vai chegar à estrela Sirius daqui a 296 mil anos, e Sirius está só a 8,6 anos luz da Terra. Ora se para algo que está a 8,6 anos luz de distância a sonda demora 296 mil anos, para chegar a este Olho de Deus a 700 anos luz precisaria de 24 milhões de anos, se fiz bem as contas. Quem estaria cá para receber as fotos?
 
2) A perspectiva teológica
Se aquilo é o olho de Deus, então o que é isto, a divina conjuntivite?
 
Não. Esta imagem é nada mais nada menos que a mesma Nebulosa da Hélice só que fotografada em infravermelhos. Se Deus tudo pode, pode emitir o que quer que emita, se emite, em luz visível, infravermelhos, ultravioletas ou qualquer outro tipo de radiação, visível ou não. Portanto Deus pode ter mais que um olho, ou o seu olho pode ter mais que uma aparência. De qualquer forma deixa de ter significado a singularidade do artigo definido singular masculino “O” em O Olho de Deus. Não há só um, há mais.
 
 
Olhem outro:
 
 
E agora, este olho é de quem? Será o outro olho de Deus? Será o esquerdo ou o Direito? Este segundo olho, se for isso – que não acredito – não está ao pé da Nebulosa da Hélice. Poderá ser uma providencial forma de salvaguardar uma dúvida que este disparatado e-mail me propiciava. É que se tinham encontrado O Olho de Deus, então Deus está ali, e já não está em todo o lado, como é suposto. Deus perderia qualidades. Com um olho num lado e outro noutro lado do espaço, talvez se salvaguardasse o princípio da ubiquidade inerente ao conceito de Deus.
 
Agora brinquemos com as imagens. Serão assim os olhos de Deus?
 
Ou serão assim?
 
Isto não será o Wall-E às escuras?...
 
Muita gente sofreu e morreu por disparates muito menores que estes de atribuir a perspectiva de alguns ignorantes a um sinal Deus. Se Deus existe, que pensará disto? Chorarão estes olhos? Pelo menos de riso?
publicado por coisas minhas às 08:00
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Ofíuco, o Serpentário

Para quem liga à astrologia, andará convencido(a) que deixámos o signo do Escorpião para entrar no de Sagitário no passado dia 22.

Mentira.
Só hoje, dia 30 de Novembro, é que o Sol deixou de ‘nascer’ na constelação Escorpião para passar a ‘nascer’ na constelação ‘Ofíuco’. Aliás, só ‘esteve’ 7 dias na constelação Escorpião, de 23 a 30.

Isto dito, significa que quem nascer agora não nasce no signo Escorpião mas sim no signo Ofíuco. Sim, é isso mesmo, Ofíuco, o Serpentário. Não existe na astrologia. Pois não, mas o que a astrologia diz foi definido no tempo dos sumérios, há muito tempo, suficiente para que pelo próprio movimento de todos os corpos celestes (planetas, estrelas e galáxias) as referências se tenham alterado. O céu hoje é diferente do de há quatro mil anos.

Sem surpresa para a Astronomia, a ciência que extrai normas (nomos) a patir da análise das posições dos astros), o Sol está começou no dia 23 a ‘nascer’ na constelação Escorpião. Até aí, e desde o dia 31 de Outubro, estava na constelação Balança.
Vamos continuar neste signo, Ofíuco, até 18 de Dezembro, durante 18 dias, até que o sol ‘nasça’ noutra constelação, desta vez sim Sagitário onde ficará durante 32 dias, até 19 de Janeiro.

Quem quiser confirmar isto basta consultar qualquer site sobre Astronomia, ou o livro Zodiaco Constelacoes E Mitos de Nuno Crato.

Quem quiser pode acreditar na Maya, tanto na astróloga como a abelha, ou em qualquer um dos muitos que advogam que por se nascer num sítio X e numa hora Y temos o nosso destino definido, e que por causa de Júpiter estar ali (como se fosse um corpo animado) e o Sol estar acolá, que vamos ter mais ou menos felicidade, dinheiro, amor, compreensão e tudas as outras tretas.

Que haja, sobretudo, a liberdade de se poder acreditar no que se quiser.

publicado por coisas minhas às 07:37
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Sábado, 25 de Agosto de 2007

Tradição sem factura

Foi noticiada a repetição de uma tradição em Esposende, a de dar banhos forçados às crianças nas praias da zona.
Segundo a notícia a tradição determina como obrigatório (?!?) dar três banhos seguidos para prever de uma série de maleitas (assim quase como a vacina da meningite, mas em versão empírica e que cura tudo), e depois vão dar três voltas a uma igreja com uma galinha na mão e passar por baixo de um andor (o que deve acabar com qualquer possibilidade de vir algum dia a sofrer seja do que for, obviamente). E tem que ser três vezes ou outro número ímpar, senão a coisa não resulta, garantem.
Se isto não é superstição pura, então alguém me explique o que é. E a Igreja Católica pactua com isto, não explícita mas tacitamente, porque não tem outro remédio. Se exigisse aos seus seguidores o exercício racional e a abstracção que uma crença séria no que é metafísico necessariamente supõe, ninguém lá ia. Consubstanciando assim as coisas, é muito mais fácil, as pessoas vêm, tocam, acreditam, como São Tomé, afinal. Por outro lado, isto é uma indesmentível continuação das eternas crenças pagãs que, longe de estarem extintas, continuam a ser praticadas todos os dias, como é isto prova. Os enfeites hoje são diferentes, mas no essencial são as mesmas coisas que andam no nosso subconsciente e nos sustentam há muitos milhares de anos.
Voltando a Esposende, não me vou alongar na estimativa da temperatura da água da praia. Estavam quase todos arrepiados, com excepção de um ou outro machão que não quis dar parte de fraco.
O que me arrepiou foi, por um lado, o pânico das crianças forçadas a mergulhar – três vezes! – e, em contraste, a alegria dos pais que pagaram 5€ por criança a estranhos para lhe agarrarem nos filhos e os mergulharem à força nas águas de Esposende. Se na companhia dos pais, ao seu colo, a maioria das crianças pequenas têm natural medo da água, o que terá passado por aquelas cabeças sentindo-se vendidos pelos pais e raptados por um estranho? Entretanto o estranho, vestido dentro de água, sorria com a aparente cândida expressão de quem diz “vá lá, isto não custa nada” enquanto as crianças tentavam emaranhar por ele acima tentando fugir do castigo.
Não sei a quantidade de pessoal que estava na praia, nem retive a estimativa indicada pelo relator, mas as imagens mostravam muita gente. Foram muitas as crianças forçadas a ir ao banho – três vezes! - na praia de Esposende. Foram muitos 5€ muita vez. Quase que aposto que ninguém deve ter pedido factura, como o Governo agora implora, mas também não deve ser preciso. Aqueles mergulhos todos – três vezes! – mais as voltinhas à igreja com a galinha na mão e a passagem por baixo do andor, entre tantas maleitas deverão proteger também de uma inspecção das Finanças.

publicado por coisas minhas às 00:02
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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Sexta-feira 13

Hesitei na escolha do título para este texto, não o queria tão óbvio nem minimamente sugestivo de crença, ainda que ligeira, neste tipo de crenças. Porém, e como sabemos das regras jornalísticas, é por vezes anunciando com a síntese dos argumentos combatidos que se consegue maior atenção.

Hoje haverá muita gente temendo as mais variadas coisas, apenas porque é sexta-feira 13.  É uma manifestação de desconhecimento - voluntário ou não - de que as referências pelas quais balizamos os mais variados aspectos da nossa vida são apenas isso, simples marcadores de conceitos que, algures na nossa história, fizamos num ponto do nosso conhecimento.

O Escudo era uma referência que substituimos pelo Euro, embora não totalmente porque ainda falamos frequentemente em 'contos' que, ironicamente, nunca foi uma unidade de moeda oficial.

Falamos do Oriente quando só o é para nós aqui. São resquícios de um etnocentrismo imperialista. Curiosamente não nos referimos aos americanos, do Norte, Centro e Sul, como 'ocidentais'.

Há quem não compreenda como pode a temperatura ser 'abaixo de zero', quando o nosso zero é, também ele, uma referência. Há muito mais frio abaixo disso.

No 'Cosmos' o Carl Sagan faz notar que em muitas línguas ainda se diz por-do-Sol e nascer-doSol quando sabemos há muito que ele não se põe nem nasce, somos nós que mudamos de posição. Porém é-nos mais fácil - confortável? - dizer que o sol vai e vem do que interiorizar que somos nós que nos movemos.

Ouvi já comentários estranhando o atraso na contagem decrescente com que os franceses lançam os seus foguetões, quando os americanos - do Norte - fazem-na coincidir exactamente com o momento em que o foguetão arranca. É não perceber que esse 'zero' pode ser colocado em qualquer lugar da linha de tempo. Os americanos colocam-no no instante do arranque, os franceses no instante do acendimento dos motores.

Hoje é uma temível sexta-feira 13 para os que ignoram que só é este dia para algumas pessoas, as dos países que adoptaram o calendário gregoriano e supersticiosamente temerárias. Aqui bem perto não é 13 nem sexta-feira e haverá tanta sorte e azar como em qualquer outro dia.

publicado por coisas minhas às 07:00
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007

Especial...

Não sei já onde primeiramente tropecei, mas os trambolhões do raciocínio pararam ao fim de várias cambalhotas na lembrança daquelas caixas de palitos que havia, e ainda haverá talvez, em muitos restaurantes, com a inscrição "Fabrico especial para esta casa".

Lembro-me que quando mais jovem aquilo de impressionava. "Especial" uau! Seria necessária muita especialização e dedicação e empenho para fazer palitos apenas para aquela casa, leia-se restaurante. Como o meu universo de restaurantes era muito pequeno, o facto de um ou outro ter palitos especiais bastava-me para fundamentar a crença na veracidade daquela afirmação. À medida que o universo se expandiu (só um pouco, ainda falta muito) começaram naturalmente a rarear aquelas especialidades e a aparecer outras diferentes. Conclusão natural: afinal aquilo não era tudo, e o tudo é muito mais que aquilo.

Será que ainda se fazem aquelas caixas de palitos? Será que aquele marketing ainda funciona? A lógica que o anima é muito simples e usa uma faculdade do raciocínio humano: na ausência de conhecimento qualquer informação adicional e, sobretudo, adjectivada entra facilmente para a nossa hierarquia de valores. A informação será válida até outra se lhe sobrepor por maior autoridade de lógica e/ou prova. Todavia são perigosas todas as informações estruturantes de raciocínio que bloqueiam outras adições de conhecimento, sejam elas quais forem. Acho eu.

música: Reggae
publicado por coisas minhas às 22:54
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Urano

Faz hoje 226 anos que foi descoberto o planeta Urano, por William Herschel. Foi o primeiro planeta descoberto na era moderna, já que todos os demais são visíveis a olho nu.

É o sétimo planeta do nosso sistema solar (sim há outros...), contando a partir do Sol. É o terceiro maior planeta em diâmetro e o quarto maior em massa. É oito vezes mais largo que a Terra (reparem na simulação aqui à esquerda), e 14 vezes mais maciço (mais "pesado" se assim quiserem). Tem, que se saiba, 27 satélites. E no entanto não conta para a astrologia.

Corpos muito menores, como o planeta Mercúrio, ou muito mais distantes, como as constelações (que, por sua vez, não são mais que aparências), são consideradas nas apreciações astrológicas, mas Urano não. Porquê? E, para lá de Urano, ainda está Neptuno (outro gigante) e depois Plutão, recentemente despromovido a planeta menor e, ainda mais longe, fica Eris o mais recente membro do nosso sistema solar. Aqui mais perto, entre nós e Marte, na cintura de asteróides, anda Ceres, o maior de todos os asteróides. E nenhum deles conta para a astrologia.

Querem acreditar que Mercúrio é mais influente nos nossos destinos que Urano ou Neptuno? Querem acreditar que Ceres nada influencia? Querem ignorar que 70 e tal por cento da matéria do Universo em nada condiciona o comportamento dos outros corpos celestes? Acreditem, mas com fundamentação. Sem fundamentos mais vale acreditar no Pai Natal, na Fada dos Dentes ou nos Glutões do Presto.

publicado por coisas minhas às 22:01
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