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Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

A religião e o progresso científico

Ando há dias para organizar ideias sobre a leitura que fiz da notícia do Público de 12/04/2007com o título “Papa Bento XVI enaltece progresso científico”, onde a dado passo, e sobre um livro que o Papa lançou, se lê que “De acordo com a Reuters, o Papa escreve (…) que a teoria da evolução, formulada por Charles Darwin, não é inteiramente demonstrável, porque as mutações ocorridas em centenas de milhares de anos não podem ser reproduzidas em laboratório.”
À primeira leitura explodiu logo a conclusão de que, naquele ponto de vista, tudo o que não seja demonstrável não tem existência, e que haveria nas entrelinhas da habitual argumentação sabiamente habilidosa uma sugestão de negação da teoria da evolução. A onda de choque disse-me logo também que a religião, entre outras coisas, não pode ser reproduzida em laboratório, logo não existe per si. Reagindo aos primeiros estilhaços de argumentos ocorreu-me que um conceito abstracto, matemático por exemplo, pode ser demonstrável pela lógica sem que isso lhe dê existência tangível.
Relendo o excerto de texto por completo, e cuidando de ter presente que haverá, necessariamente, muito mais de argumentação para além do é transcrito, continuei lendo que “Ao mesmo tempo, o Papa enaltece o progresso científico e não aprova o criacionismo, defendido por alguns sectores do protestantismo, sobretudo nos Estados Unidos.”
Confesso que me alegra esta estranha e muito pouco habitual concordância de opiniões entre mim e a entidade em referência. Há muitos disparates neste mundo, mas o do criacionismo está nos primeiros lugares do campeonato.
Leio ainda que o “Vaticano (…) já aceitara o evolucionismo e o progresso científico” e que “João Paulo II (…) afirmara o seu apoio à teoria da evolução e a sua compatibilidade com o cristianismo” (…) na continuidade da obra de Teilhard de Chardin (1881-1955), paleontólogo e padre jesuíta, que defendeu a compatibilidade entre ciência e fé.” E mais à frente que “No livro agora publicado, o Papa Bento defende a posição da "evolução teísta": Deus criou a vida e esta evolui”.
Não sei o que tenho menos, se capacidade ou paciência para discutir teologia, mas não me entra na cabeça qualquer compatibilidade argumentativa entre, por um lado, a possibilidade de a Vida evoluir para lá de alguma vontade divina e, por outro, a eventualidade de toda a existência, material ou não, ter origem, justificação e manutenção por qualquer entidade metafísica. Na minha opinião, que mais não vale que isso mesmo, se a Vida evolui para lá da sua criação e independentemente de qualquer vontade desta, escapando ao seu controlo anula a sua omnipotência e, consequentemente, a sua existência. Se, por outro lado, toda a evolução é mantida sob controlo que qualquer entidade metafísica, então há decisões subjacentes e justificadoras dos caminhos tomados. E considerando os resultados que constatamos é estranho que tantas decisões tenham sido no sentido de gerar tanta infelicidade pelo mundo fora. Discorro três conclusões possíveis:
a) não há quaisquer entidades metafísicas e tudo decorre do acaso;
b) Há entidades metafísicas que não geram apenas o Bem mas também o Mal, e não são, então, nada do que é anunciado;
c) Eles até são bonzinhos mas nós, simples mortais, somos demasiado limitados para perceber as coisas.
A última opção é a mais confortável. A segunda é de consenso. Eu prefiro a primeira. Tem lógica, acho eu.

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publicado por coisas minhas às 22:56
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