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Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Sexta-feira 13

Hesitei na escolha do título para este texto, não o queria tão óbvio nem minimamente sugestivo de crença, ainda que ligeira, neste tipo de crenças. Porém, e como sabemos das regras jornalísticas, é por vezes anunciando com a síntese dos argumentos combatidos que se consegue maior atenção.

Hoje haverá muita gente temendo as mais variadas coisas, apenas porque é sexta-feira 13.  É uma manifestação de desconhecimento - voluntário ou não - de que as referências pelas quais balizamos os mais variados aspectos da nossa vida são apenas isso, simples marcadores de conceitos que, algures na nossa história, fizamos num ponto do nosso conhecimento.

O Escudo era uma referência que substituimos pelo Euro, embora não totalmente porque ainda falamos frequentemente em 'contos' que, ironicamente, nunca foi uma unidade de moeda oficial.

Falamos do Oriente quando só o é para nós aqui. São resquícios de um etnocentrismo imperialista. Curiosamente não nos referimos aos americanos, do Norte, Centro e Sul, como 'ocidentais'.

Há quem não compreenda como pode a temperatura ser 'abaixo de zero', quando o nosso zero é, também ele, uma referência. Há muito mais frio abaixo disso.

No 'Cosmos' o Carl Sagan faz notar que em muitas línguas ainda se diz por-do-Sol e nascer-doSol quando sabemos há muito que ele não se põe nem nasce, somos nós que mudamos de posição. Porém é-nos mais fácil - confortável? - dizer que o sol vai e vem do que interiorizar que somos nós que nos movemos.

Ouvi já comentários estranhando o atraso na contagem decrescente com que os franceses lançam os seus foguetões, quando os americanos - do Norte - fazem-na coincidir exactamente com o momento em que o foguetão arranca. É não perceber que esse 'zero' pode ser colocado em qualquer lugar da linha de tempo. Os americanos colocam-no no instante do arranque, os franceses no instante do acendimento dos motores.

Hoje é uma temível sexta-feira 13 para os que ignoram que só é este dia para algumas pessoas, as dos países que adoptaram o calendário gregoriano e supersticiosamente temerárias. Aqui bem perto não é 13 nem sexta-feira e haverá tanta sorte e azar como em qualquer outro dia.

publicado por coisas minhas às 07:00
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