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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Santa urgência

Uma freira diz que foi curada da doença de Parkinson por interferência de João Paulo II, já depois da sua morte dele. É o mais recente argumento para a defesa popular da proclamação da santidade deste. As regras ditam uma espera de cinco anos – salvo erro – mas tem crescido a pressão para que se ignore este limite mínimo.

Numa organização que proclama a eternidade e perpetuidade do ser para lá do seu desaparecimento físico, é estranha esta pressa na proclamação da santidade do anterior Papa. Se é para todo o sempre fará diferença se a santidade for proclamada daqui a dois anos? Ou daqui a vinte?

Talvez a tutela da organização não seja a promotora da pressa, e então quem a promove, e sendo membro da organização, estará a incorrer nalguma falha violando tais preceitos (que dimensão e castigo terá tal pecado?). Todavia, a própria organização não manifesta incómodo com esta pressa, pelo que acaba, na vox populi, por se deixar rotular de conivente com a urgência. Pois então, numa organização que reclama para si o direito de reger os mais variados aspectos da vida humana arrogando-se, consequentemente, ao exercício do auto-proclamado direito de os punir, a pressa em ultrapassar as suas próprias regras quanto a estes assuntos é ainda mais estranha.

É, aliás, tudo muito estranho. De um dia para o outro a freira estava curada. Como todo o respeito merecido pela senhora, também a pergunta, por consequência natural, merece o devido espaço para ser formulada: porquê ela, e não outra? Ou outro? Porque não mais pessoas? Porque não todos os que padecem de Parkinson? Porque não os que sofrem de Alzheimer? Ou os que sofrem de SIDA? Porque não, então, todos os que padecem de qualquer coisa? Aliás, se uma das ordens divinas para o universo de pessoas em causa é “crescei e multiplicai-vos”, e se só uma pessoa pudesse ser curada, não faria mais sentido curar alguém que pudesse constituir família em vez de uma freira – respeitável, note-se – que deve ter feito votos de castidade?

Por alguma razão a senhora foi escolhida, os outros não. Ocorrem-me algumas perguntas:

1) se houve escolha mais estranhos são os critérios. Que qualidades a mais tinha do que todos os demais milhões de pacientes que a colocou no topo da lista?

2) será que só uma podia ser escolhida por não haver poder para curar todos, ou só mais alguns? A ser assim fica em causa a omnipotência, condição sine qua non de todas as divindades.

3) se há a possibilidade de por esta via eliminar a doença, quer isso dizer que também há a possibilidade de a fazer aparecer? Terá sido assim que a senhora começou a padecer? Se for assim, quem é que está em dívida com quem? Se não há a possibilidade de pela mesma via ter causado a doença, como apareceu então? Novamente a suposta omnipotência se demonstra questionável.

4) que podem os agora excluídos fazer para poder ainda alcançar a mesma cura?

5) o que podem os que acreditam neste acontecimento dizer de útil aos próximos dos que já morreram com esta e outras doenças? Não havendo retroactividade para a morte, haverá para o consolo dos que ficam?

Isto ainda agora começou, mas é tanta a pressa em concluir o processo que temo que o único ou mais forte argumento seja o desta cura. Se for sentirei, como sinto já, que estão a gozar com todos os outros. A importância que esta organização tem para tanta gente é inversamente proporcional ao direito que tem de as gozar assim.

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publicado por coisas minhas às 23:46
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2 comentários:
De Carlos Rodrigues a 22 de Agosto de 2007 às 23:22
luislirio@hotmail.com

Exmos(as) Senhores(as)

Terminei recentemente um livro de cosmologia do infinito, tem pouco mais de trezentas páginas com 50 máximas acerca do nada e 180 máximas acerca de cosmologia quase todas no âmbito do infinito. É uma obra de auto recriação, pouco depois de terminar a obra li num livro de divulgação científica a palavra Criacionismo e uma leve explicação que me levou a ir ao dicionário ver o significado da palavra, fiquei admirado, a minha obra não era assim tão original. Mas depois comecei a pesquisar o Criacionismo na net e verifiquei que este está deturpado, o que é normal pois exige uma grande capacidade abstracta, uma idade mental ou se preferirem um Q.I. um pouco mais elevado do que o que é corrente. Pretendo divulgar a minha obra até conseguir publicá-la com patrocínio pois sou pobre. Se pretenderem ler e analisar a obra tenho todo o prazer em enviá-la por e-mail, é só pedirem-ma. Fico a aguardar. Os melhores cumprimentos.

Carlos Rodrigues
De Kinynha a 11 de Abril de 2007 às 10:08
Concordo consigo, e gosto da forma como explanou este post embora um pouco longo, na minha opinião...Efectivamente, nem tinha conhecimento desta noticia.... Todos nós já nos habituamos à hipocrisia da Igreija do Vaticano... enfim.....afinal, tantos seculos de História e poder também podem distorcer e corromper o que era no inicio tão bem intencionado.... Não dequalificando a fé da senhora, a qual merece sempre o nosso respeito é, realmente, tudo muito apressado e estranho...

(obrigada.... não me lembrei, efectivamente do Pico nos Açores)....cumprimentos!:)

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