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Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Ruideira terapêutica

Segundo um notícia hoje divulgada, há por aí um novo fenómeno a que os media chamam de e-drugs. São As sessões de 15 a 30 minutos de sons que podem ser descarregadas da internet a preços que oscilam entre os sete e os 150 euros, segundo ouvi na TSF e li no JN. A notícia do JN cita algumas experiências:
"Senti chamas nos meus braços", "O meu coração batia muito forte e tremi como um louco", "vontade de ser muitas coisas" depois da experiência, e até um que dia "Tinha mais sensibilidade nas extremidades e, de repente, tive uma erecção".

Desconheço o mecanismo despoletado por estes sons nos organismos destes consumidores. A notícia fala em batidas binárias, um fenómeno neurológico que consiste em emitir sons diferentes em cada ouvido e que estimula o cérebro.

Eu conheço muitas músicas de que gosto e que me relaxam ou excitam, mas ainda não cheguei ao transe. Acho que nunca levitei nem tive visões de coisa alguma. Espírito fraco, talvez.

Mas, por outro lado, há sons que me chateiam, muito! Há dias na FNAC estava um cromo numa demonstração de disc jockey, mesmo ao lado da secção de literatura infantil. E aquele Tsbach-Tsbum-Tsbach-Tsbum-Tsbach-Tsbum-Tsbach-Tsbum, En en en, En en en, En en en, En en en,, Uíínyouuu, e coisas assim dá cabo do juízo. Aposto que aquele som - que não é música, porque lhe falta a necessária conjugação harmoniosa de sons -mata meia dúzia de neurónios com cada batida. Deve ser por isso que o pessoal que conheço que curte esse tipo de ruideira, e frequenta os espaços em que é divulgada, é assim um pouco para o curto de ideias.

Outro som que chateia foi um que percebi hoje o que era. Já há dias aquilo me tinha incomodado. Havia qualquer coisa indefinida que me estava a chatear e eu não estava a perceber porquê. Hoje, com os ouvidos mais atentos, deslindei a coisa. O estabelecimento tinha o televisor sintonizado na TVI (o que desde logo me indispõe logo pela manhã, mas adiante). E no noticiário estava a locutora a falar e ao mesmo tempo, e com quase o mesmo nível de som, vinha um som muito batido, repetitivo e agressivo. É daqueles sons que procuram fingir que estamos numa redação super aterefada, com muito stress e com os velhinhos telefax a debitar palavras. Ora a locutora estava a ler os cabeçalhos das notícias, a ruideira de acompanhamento não era preciso para nada. Ou talvez fosse só para chatear, e para perder audiência. Se assim for, a ruideira até pode ser terapêutica. Não ver a TVI pode ser uma opção por uma maior sanidade mental. Acho eu.

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publicado por coisas minhas às 18:54
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